Calculadora de quitação de cartão de crédito
Mostra em quantos meses você quita o cartão e quanto paga de juros no total, com gráfico de saldo ao longo do tempo e simulação de pagamentos extras.
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Menos de um ano para zerar a dívida é um ritmo adequado. Uma vez o saldo em zero, o valor mensal liberado pode ser redirecionado para uma reserva de emergência ou aplicação, antes que o aumento natural dos gastos o absorva.
O que é a quitação de cartão de crédito
A quitação de cartão de crédito é o processo de reduzir o saldo devedor a zero por meio de pagamentos mensais que, mês a mês, cobrem os juros do período e abatem uma parte do principal. O número de meses até a quitação e o total de juros pagos dependem de três grandezas: o saldo atual, a taxa de juros e o valor pago a cada mês. Esta calculadora recebe essas três entradas e devolve, em meses, a duração da dívida e o total de juros ao final.
No crédito rotativo do cartão de crédito brasileiro a taxa é, há anos, a mais alta do sistema financeiro nacional. Os números que o Banco Central publica todo mês oscilam entre 300% e 450% ao ano em termos de custo efetivo total (CET), o que faz o saldo dobrar a cada três ou quatro meses quando se paga apenas o mínimo. É outra ordem de grandeza em relação ao financiamento de veículos (~25% a.a.) ou ao crédito consignado (~20% a.a.).
Como os juros e o pagamento mínimo se acumulam
A cada mês, os juros incidem sobre o saldo inteiro. Se o pagamento do período não supera esses juros, a parcela que sobra para abater o principal é pequena — ou nula — e a dívida persiste por muito tempo.
O valor mínimo da fatura é, por regulamentação do Banco Central, 15% do total. Em uma fatura de R$ 5.000 com CET de 350% a.a. (≈ 13% a.m.):
- Juros do mês: (em reais)
- Pagamento mínimo de 750 reais; a parcela que vai ao principal é a diferença, 750 − 650 = 100 reais
A cada mês o saldo cai só R$ 100, enquanto os juros do período seguinte permanecem praticamente os mesmos. As primeiras parcelas vão quase inteiramente para juros, e o saldo recua devagar. O modo mínimo no seletor no topo da calculadora reproduz esse regime: ajustando o percentual e o piso da fatura, a calculadora desenha a curva do saldo ao longo do plano e retorna os juros totais — tipicamente 1,5 a 2 vezes o saldo inicial.
O limite legal de 100%
Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 (regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023) limita o valor total cobrado no rotativo a, no máximo, 100% do valor original da dívida. Ou seja: para uma dívida de R$ 5.000 no rotativo, os juros somados não podem ultrapassar outros R$ 5.000. Não se trata de um teto de juros mensais — apenas de um teto acumulado. Em taxas de 15% ao mês, esse teto é alcançado em poucos meses, e o banco fica então obrigado a oferecer um parcelamento da fatura com condições mais brandas (CET típico de 150–200% a.a.) — ainda alto, porém menor que o rotativo.
A fórmula
Para um saldo , pagamento mensal e taxa anual , o número de meses para zerar a dívida é:
O total pago é , e o total de juros é . A condição precisa valer: se o pagamento não supera os juros do primeiro mês, o argumento do logaritmo fica negativo e a dívida não se extingue.
Comparando estratégias de pagamento
Saldo de R$ 5.000, taxa de 350% a.a. (≈ 13% a.m.):
| Pagamento mensal | Meses até quitar | Juros totais |
|---|---|---|
| R$ 750 (mínimo) | trava no teto e vira parcelamento | até R$ 5.000 |
| R$ 1.000 | ~9 | ~R$ 4.000 |
| R$ 1.500 | ~5 | ~R$ 2.000 |
| R$ 2.000 | ~3 | ~R$ 1.200 |
No rotativo, cada R$ 100 a mais por mês reduz o total de juros em centenas de reais. O efeito é grande porque a taxa mensal é muito alta: todo valor que reduz o saldo hoje elimina os juros que esse montante geraria nos meses seguintes.
Quando este cálculo se aplica
Dimensionar a dívida em prazo concreto
Somar o saldo do rotativo e os parcelamentos do cartão converte uma dívida difusa em um número definido. Saber em quantos meses ela é zerada, dado um valor mensal viável, transforma uma intenção vaga em uma data concreta.
Avaliar a portabilidade da dívida
Quando a quitação no ritmo atual leva mais de 12 meses, vale considerar alternativas de taxa menor:
- Portabilidade de dívida: a Resolução CMN 4.292/2013 obriga os bancos a aceitar a transferência da dívida para outra instituição que ofereça taxa menor. O cliente apresenta o contrato atual a outro banco e solicita uma proposta; o banco de origem pode cobrir a oferta ou perder o cliente.
- Crédito pessoal não consignado: CET típico de 70–120% a.a. — alto, mas em outra ordem de grandeza que o rotativo.
- Crédito consignado (servidor público, aposentado, CLT em empresa conveniada): CET de 20–35% a.a., normalmente o menor entre as opções pessoais.
- Desenrola Brasil: o programa do governo federal (renovado em 2024) oferece descontos de até 90% para dívidas negativadas.
- Cooperativas de crédito (Sicoob, Sicredi, Unicred): para sócios, CET de 30–60% a.a.
Inserir o novo CET na calculadora mostra o impacto. Em um saldo de R$ 5.000, reduzir a taxa de 350% para 70% pode representar R$ 4.000 ou mais de economia em juros.
Avalanche e bola de neve, no caso de múltiplos cartões
- Avalanche: ataca primeiro o cartão de maior taxa — matematicamente, paga menos juros no total.
- Bola de neve: ataca primeiro o de menor saldo — psicologicamente, mantém a motivação.
Pesquisas de economia comportamental (Gal & McShane, 2012) sugerem que a bola de neve tende a funcionar melhor na prática: encerrar uma dívida inteira sustenta a adesão ao plano. A avalanche é teoricamente ótima; a bola de neve é, para a maioria das pessoas, a mais sustentável. Os dois cenários podem ser simulados na calculadora.
O que este cálculo não cobre
- IOF e tarifas: as taxas oficiais já incorporam grande parte das tarifas no CET, mas operações específicas (saque na função crédito, parcelamento de fatura no caixa eletrônico) podem cobrar IOF adicional.
- Multas por atraso: 2% sobre o valor da fatura mais juros de mora de 1% a.m. somam-se ao rotativo. O modelo assume pagamentos em dia.
- Anuidade: cartões com anuidade adicionam um custo fixo anual; a comparação de opções deve considerá-la.
- Impacto no Serasa/SPC: dívidas em atraso permanecem nos órgãos de proteção ao crédito por até 5 anos e dificultam financiamentos futuros.
Quitar uma dívida de cartão a 350% a.a. equivale, em termos financeiros, a obter um retorno de 350% ao ano, livre de imposto. Nenhuma aplicação disponível entrega isso de forma consistente, o que torna a quitação da fatura, na maioria dos casos, a alocação de recurso mais eficiente antes de investir.
Uma vez quitada a fatura, o mesmo valor mensal pode ser redirecionado para Tesouro Direto, CDB ou um fundo de índice amplo via corretora. A Calculadora de poupança e investimento projeta o efeito dos juros compostos ao longo de 20 anos a partir de um valor em reais.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que pagar só o mínimo nunca quita a fatura?
O pagamento mínimo é calculado como uma fração pequena do saldo — tipicamente 1–3% do saldo rotativo mais os juros do mês. Com taxas altas, quase toda a parcela vai para juros e o saldo cai pouquíssimo a cada mês.
Desde 2024, a Lei 14.690/2023 limita o valor total cobrado no rotativo a 100% do principal — ao atingir esse teto, o banco fica obrigado a oferecer parcelamento da fatura, com taxa menor mas ainda alta.
Quanto economiza um extra de R$ 50–100/mês?
Em um saldo de R$ 5.000 a 18% a.a. (cenário internacional) com pagamento base de R$ 200/mês, sem extra dá ~32 meses e ~R$ 1.400 de juros. Com R$ 50 extra: ~24 meses e ~R$ 1.000 de juros (≈R$ 400 e 8 meses economizados). Com R$ 100 extra: ~20 meses e ~R$ 800 de juros. No rotativo brasileiro (CET 300% a.a.), o efeito é ainda mais dramático — qualquer extra encurta o plano em pelo menos um terço.
Pago primeiro a dívida menor ou a de juros mais altos?
Matematicamente, ataque primeiro a de maior taxa ("avalanche") — paga menos juros no total. Psicologicamente, atacar primeiro a menor ("bola de neve") gera vitórias rápidas que mantêm a pessoa firme. Pesquisas de economia comportamental mostram que a bola de neve costuma funcionar melhor na prática porque mais gente vai até o fim. O método que você consegue manter vence o método teoricamente ótimo.
Vale a pena fazer portabilidade de dívida?
Em geral sim, quando a taxa atual está alta e faltam mais de 6 meses para quitar. Transferir a dívida para uma instituição que ofereça taxa menor pode reduzir bastante o total de juros.
A Resolução CMN 4.292/2013 obriga os bancos a aceitar a portabilidade. Alternativas comuns: crédito pessoal não consignado (CET 70–120% a.a.), consignado se elegível (CET 20–35% a.a.) ou cooperativas de crédito (CET 30–60% a.a.). Em saldos maiores, a economia pode ser substancial.
O que faço se a fatura está negativada e em cobrança?
A negociação direta com o banco é o primeiro passo — descontos de 50–90% no valor da dívida em atraso são comuns. A plataforma Desenrola Brasil reúne ofertas das instituições e permite quitar com forte desconto.
Se o valor for alto demais, o Procon local ou o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) fazem mediação gratuita. A calculadora assume pagamentos em dia; para dívidas já negativadas, a negociação vem antes de simular um plano de pagamento.
Disclaimer
Este é um modelo simples de amortização que assume CET fixo, sem novas compras, pagamentos em dia e parcela mensal constante. Faturas reais incluem IOF, anuidade, multas por atraso, juros de mora e mudanças de taxa. Os números de "meses/juros economizados" comparam o mesmo plano com e sem o pagamento extra e não consideram o custo de oportunidade de investir o mesmo valor em outro lugar.
Isto não é aconselhamento financeiro. Para situações graves de dívida, o Procon, o Cras ou um educador financeiro do Sebrae oferecem orientação gratuita.
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